quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Reflexão filosófica motivada pela leitura de "A morte feliz", de Albert Camus

Mersault é um homem simples, com uma boa constituição física, que tem um relacionamento com Marthe, através da qual conhece Zagreus, um senhor proprietário duma grande riqueza, mas que, devido a um acidente, se tinha tornado inválido.

O protagonista vive infeliz: aprisionado numa rotina monótona que não obedece aos seus interesses nem vontade. Está sujeito a um emprego desagradável que, em tempos, foi uma promessa de algum dia poder levar uma vida com alguma qualidade e que se tinha tornado num sacrifício que apenas garantia o indispensável para a vida, pela qual Mersault já perdeu a esperança (conformismo, rotina).

Vive no apartamento herdado da mãe, pobre e infeliz, contrastando com a atividade e (talvez) felicidade das famílias na rua. Partilhava o apartamento com um tanoeiro, surdo e mudo, bruto, cuja mãe morreu e a irmã abandonou devido à sua maldade, deixando-o em sofrimento. Atormentado pela solidão e memórias da mãe, refugia-se, sempre que possível, no café, junto dos seus semelhantes.


Zagreus defende a opinião de que devemos fazer tudo pela felicidade, independentemente do meio usado para a adquirir, justificando assim até as más ações como roubar. Roubar, pois Zagreus acredita que, de certo modo, o dinheiro faz, indiretamente, a felicidade. Mais concretamente defende que ter dinheiro equivale a ter tempo para se ser feliz (ou seja, o tempo “compra-se”). Obviamente, não se aplica a todos os indivíduos porque nem todos têm um sentido de felicidade que compreenda a necessidade de uma certa aprendizagem do tempo, nem têm as condições necessárias para serem felizes, como no caso de Zagreus. Apesar de ter dinheiro e, consequentemente, tempo disponível, não consegue usufruir de tal, devido ao seu problema, e é infeliz. No entanto, este consegue preservar alguma da sua paixão pela vida e vontade de viver, ser feliz e transmitir tal felicidade.

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Miguel Figueira, nº 22, 11º A1

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