No âmbito do projeto Ler para (Entre)Ter (integrado nas atividades da Rede concelhia promovida pela biblioteca da ESJAC de Bibliotecas de Tavira), que visa estimular a leitura e o diálogo intergeracional, promovendo a integração e o enriquecimento mútuo, a turma do 10ºA4 preparou uma seleção de poemas e canções, para apresentação no Lar Major Castro e Sousa, em Tavira.
A referida apresentação teve como mote o tema do Amor, que, sendo um dos sentimentos mais universais da experiência humana, atravessa o tempo, as idades e as culturas, assumindo muitas formas: o amor romântico, o amor vivido na saudade, o amor que conforta, que espera e que permanece na memória.
Nesta sessão, levámos poemas e canções que falam desse amor — palavras e melodias que muitos conheceram ao longo da vida e que continuam a emocionar. Ao partilhá-los, não pretendemos celebrar apenas a literatura e a música, mas também as histórias, as vivências e os afetos de quem nos escutou.
As palavras ditas e cantadas fomos buscá-las à contradição deste sentimento pela pena de Camões, à voz pueril da Cinderela de Carlos Paião, à intensidade dramática de Florbela Espanca, ao sofrimento de Rui Veloso, cuja Paixão o levou a empenhar o anel, à segurança forte e voluptuosa de Natália Correia, ao caminho incerto, mas determinante, do Homem em cujas mãos firmes os Xutos colocaram o leme, para levar a bom porto esta navegação que é a vida, a um amor feito de distância e espera, de Cecília Meireles...
E ainda... antecipando-nos a qualquer epíteto delicodoce com que nos quisessem etiquetar, fomos ao baú e levámos também as Cartas de Amor pessoanas, para arremessar a qualquer um que ousasse sequer apoucar este caleidoscópico sentimento e o considerasse Ridículo.
Não foi necessário. Mas foram lidas e ficou claro que este vínculo que nos une a todos, quando é verdadeiro, não envelhece: transforma-se em memória, em gesto, em canção.
Ao lermos estes poemas e cantarmos estas músicas, não estivemos apenas a recordar o passado, mas a criar um momento de encontro no presente. Sentimos que cada palavra e melodia foram um abraço, um reconhecimento e uma forma de dizer que cada história de amor vivida continua a ter valor, significado e beleza, num encontro entre quem inicia agora a descoberta e quem já tanto descobriu porque já muito viveu.
Professora: Margarida Pereira