BIBLIBLOGUE ESJAC - TAVIRA

Blogue da Biblioteca da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia - Tavira. "LER É SONHAR PELA MÃO DE OUTREM." Fernando Pessoa (Bernardo Soares), Livro do Desassossego.

segunda-feira, 30 de março de 2026

EU SOU QUEM SOU

 Eu sou quem sou, e não vou deixar de o ser.

Só porque o chão é mais azul, ou porque as portas rangem. Vozes incómodas sem fim,

Apedrejam os meus sapatos,

Até que caia no buraco de onde vêm.


Tenho amor pelo meu ser,

Mas tenho medo de o perder pela brisa quente, Brisa que faz o ar arder feito carvão,

Queimando mais até não sobrar coisa nenhuma. O fogo consome, sem misericórdia.

Não gosto disso,

Nem nunca hei de gostar.


Alma dominada pelo medo,

São sonhos escritos em papel sem tinta, Inúteis nas mãos de quem não tenta, Porque tem medo de não conseguir.

Chuva miúda completa as ruas, Borra obras de arte futuristas.


Navegamos por mares perigosos, Ondas deixam gaivotas tontas, Canhões perfuram as embarcações, Munições dominadas pela vergonha Não são bem vindas no meu barco.

                                                                       

                                                                                           Aluno: Rafael Galhardo 12º A3


Poesia

Aluna Miriam Santos 12.ºA1

 

QUERIDO FUTEBOL

 Querido futebol.

Desde o momento em que o meu pai te apresentou,

E imaginava no meu quarto como ganhava a Champions league com um golo de bicicleta.

Eu percebi,


Que não ias ser só mais uma coisa na minha vida.

Quando vi as jogadas do Messi,

A dedicação do Ronaldo,

A coragem do Abidal,

Eu percebi que não era apenas regras que me ensinavas.


Eras só contexto na minha vida, 

Até passares a tornar te parte dela

E mesmo depois de me dares tantas tristezas:

Desilusões,

Injustiças, 

Me fazeres chorar e destruíres-me

Eu percebi que era no campo que queria passar o resto da minha vida

Pois tu não eras só algo nela

Mas sim tudo.


Aluno: Duarte Encarnação 12.ºA3


sábado, 14 de março de 2026

Projeto Ler para (entre)ter

     No âmbito do projeto Ler para (Entre)Ter (integrado nas atividades da Rede concelhia promovida pela biblioteca da ESJAC de Bibliotecas de Tavira), que visa estimular a leitura e o diálogo intergeracional, promovendo a integração e o enriquecimento mútuo, a turma do 10ºA4 preparou uma seleção de poemas e canções, para apresentação no Lar Major Castro e Sousa, em Tavira.

    A referida apresentação teve como mote o tema do Amor, que, sendo um dos sentimentos mais universais da experiência humana, atravessa o tempo, as idades e as culturas, assumindo muitas formas: o amor romântico, o amor vivido na saudade, o amor que conforta, que espera e que permanece na memória.

    Nesta sessão, levámos poemas e canções que falam desse amor — palavras e melodias que muitos conheceram ao longo da vida e que continuam a emocionar. Ao partilhá-los, não pretendemos celebrar apenas a literatura e a música, mas também as histórias, as vivências e os afetos de quem nos escutou.


As palavras ditas e cantadas fomos buscá-las à contradição deste sentimento pela pena de Camões, à voz pueril da Cinderela de Carlos Paião, à intensidade dramática de Florbela Espanca, ao sofrimento de Rui Veloso, cuja Paixão o levou a empenhar o anel, à segurança forte e voluptuosa de Natália Correia, ao caminho incerto, mas determinante, do Homem em cujas mãos firmes os Xutos colocaram o leme, para levar a bom porto esta navegação que é a vida, a um amor feito de distância e espera, de Cecília Meireles...


     E ainda... antecipando-nos a qualquer epíteto delicodoce com que nos quisessem etiquetar, fomos ao baú e levámos também as Cartas de Amor pessoanas, para arremessar a qualquer um que ousasse sequer apoucar este caleidoscópico sentimento e o considerasse Ridículo.

     Não foi necessário. Mas foram lidas e ficou claro que este vínculo que nos une a todos, quando é verdadeiro, não envelhece: transforma-se em memória, em gesto, em canção. 

   Ao lermos estes poemas e cantarmos estas músicas, não estivemos apenas a recordar o passado, mas a criar um momento de encontro no presente. Sentimos que cada palavra e melodia foram um abraço, um reconhecimento e uma forma de dizer que cada história de amor vivida continua a ter valor, significado e beleza, num encontro entre quem inicia agora a descoberta e quem já tanto descobriu porque já muito viveu.

                                                                                                Professora: Margarida Pereira