BIBLIBLOGUE ESJAC - TAVIRA

Blogue da Biblioteca da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia - Tavira. "LER É SONHAR PELA MÃO DE OUTREM." Fernando Pessoa (Bernardo Soares), Livro do Desassossego.

terça-feira, 6 de julho de 2010

11º A3 e 11º A4 como contadores de histórias (PREAA)

No dia 29 de Abril, um grupo de alunos do 11º A3 e 11º A4, na companhia da professora de Biologia e Geologia, Augusta Carvalho, deslocou-se à EB1 de Luz de Tavira para realizar uma sessão de narração e animação de um conto extraído da obra Contos do Mago, narrativas e percursos geológicos, de Helena Tapadinhas.
O conto trabalhado foi "Nascem Nuteixos" e os nossos alunos conseguiram muito bem cativar os alunos do 2º e 4º anos da turma da professora Arménia Viegas. A coordenadora PREAA interconcelhia, Susana Rocha, também acompanhou no local o desenvolvimento deste trabalho.
A compilação fotográfica que abaixo pode visionar testemunha o empenho de professores e alunos em mais uma das actividades agendadas pela nossa escola no âmbito do Programa de Educação Ambiental pela Arte (PREAA), promovido pela DREALG.



Sente curiosidade por ler ou consultar a obra Contos do Mago, narrativa de percursos geológicos?
Dirija-se à nossa Biblioteca e poderá requisitar um dos exemplares que possuímos.

Aceda também ao site http://www.contosdomago.com/

Lágrimas

Há muito, muito tempo, na praia do Barril, uma grande amizade nasceu entre o vento e a duna Nuna. Todos os dias faziam bailes de vento e areia, divertindo-se.



Até que um dia, o vento apercebeu-se que sentia uma coisa estranha quando estava com a duna. Era algo quente que o fazia sentir-se bem com a pequena duna. Como não sabia o que era, o vento foi falar com o mestre sábio do tempo e das eras, Mago PMCzóico.
Nesse dia estava muito calor, então, duna foi para perto do mar. Assim que o vento a viu de costas, fugiu num leve sopro até às ninfas do sapal. Chegou e disse:
- Ó ninfas, ninfas, podem dizer-me onde mora o mago do tempo?
- Oh valente vento, nós não sabemos onde mora o mago mas podemos pedir às Ornitogeas que o tragam até nós – contestou a ninfa.
-Então está bem, amanhã apareço aqui – disse o vento sorridente.
As horas passaram e duna foi dormir descansada para junto dos barcos dos pescadores.
No dia seguinte, o vento foi ter com o mago e perguntou:
-Ó mago das eras e do tempo, tu, que tudo sabes, que tudo já viveste, diz-me, por favor, que calor estranho e reconfortante é este que sinto quando estou com Nuna.
-Esse calor estranho que te queima mas ao mesmo tempo te faz sentir bem é o amor -afirmou o mago sábio.
-Então como é que digo à Nuna isto que sinto? - perguntou o vento.
-Diz-lhe o que sentes, não esperes mais tempo, e sobretudo tens de saber viver com um “não” e com um “sim”-respondeu o mago.
O vento ficou pensativo, agradeceu os conselhos do mago e foi ter com a duna.
Nesse dia, o vento ameno e calmo parecia um vento do sul, seco e quente, quando estava com a Nuna. Ele tinha ficado com esperanças desde que tinha saído sozinho com a duna, dos bailes de vento e de todas as vezes que riam juntos. Ganhou coragem e disse à duna o que sentia, mas para sua infelicidade duna disse que só gostava dele como amigo.
E assim, com um sopro fugaz, o vento desapareceu a correr. Foi para o sapal e derramou tantas lágrimas que as plantas começaram a florir. Como as suas lágrimas eram de tristeza, podemos pôr uma folha de uma dessas plantas na boca e sentir o salgado das lágrimas do vento.



Seguindo os conselhos do mago, o vento continuou a fazer os seus bailes de areia e vento com a duna mas sempre com o seu coração partido, durante todo o tempo, até aos dias de hoje.




Duarte Barros, 11ºA3
Escola Secundária de Tavira, Ano lectivo 2009/2010




(Texto criativo produzido após leitura de Contos do Mago - narrativas e percursos geológicos, de Helena Tapadinhas)


À DUNA NUNA

As areias que pisamos…
Hoje sento-me aqui, não tenho nada para contar para além dos sonhos perdidos, jogados ao chão pelo egoísmo. O mar é meu aliado e as areias minhas confidentes, mil e uma histórias guardam e, por isso mesmo, ninguém melhor que elas para guardarem o meu eterno segredo.
Mergulho os pés nelas, deixando-me afundar nos seus grãos de quartzo. “Conta-me histórias” peço-lhe. Já foste magma, costa de montanha e fundo de mar.Foste pressionada até às profundidades deste pequeno e azul planeta, lá tornaste-te incandescente. Admiro-te por isso, moldas-te conforme o que te rodeia e os teus cristais brilham junto ao sol qual tesouro. Quantas amizades juntaste? E quantas paixões terminaste no final de cada Verão?
Danças com este vento perdido de rumo e todos os dias nos mostras uma nova visão cheia de vida. Migras com este teu amigo do barlavento para o sotavento, encarando o mar furioso. Formas oásis e infinitos desertos que podem levar um mero mortal à loucura. A tua paisagem não nos revela o teu passado, por isso, alguém como eu, simplesmente intitulada por alguém, se pergunta: O que te aconteceu? Dançaste com o vento, os teus grãos foram separados e espalhados pelos quatro continentes. Comprimida e transformada, as ondas do teu corpo desaparecem para dar lugar a uma estrutura pesada, estrutura que não amas mas aceitas.
Caminho sobre ti, deixando assim um rasto para trás. Porém, ao contrário de ti, não deixo a minha marca no Mundo. Nas tuas areias estão inscritas as memórias de dinossauros e chuvas que foram transformando o Mundo. Porque é que o Homem vai destruindo tudo aquilo que ajudaste a construir? Tu que impedes que o mar atravesse as ilhas que constróis, vês tudo a ser destruído pela nossa ganância. Dás a pescadores um porto de abrigo, a jovens um pitada daquilo a que chamamos liberdade, e assim o tempo vai passando.


Tudo o que nos rodeia vai mudando, incluindo tu, velha amiga Nuna. Deixas-nos apreciar um nascer e um pôr-do-sol, lembrando-nos que devemos preservar o que de mais belo temos, a vida! E ali continuamos na companhia dos quatro elementos, e tu, imortal companheira, a embalar-nos com o teu velho amante - o vento.

Catarina Almeida, 11ºA3
Escola Secundária de Tavira, Ano lectivo 2009/2010




Texto criativo produzido após leitura de Contos do Mago, narrativas e percursos geológicos, de Helena Tapadinhas.

A Geologia em Tavira

A turma do 11º A2, sob a orientação da professora Augusta Carvalho, realizou um estudo sobre a Geologia em Tavira.
Clique no vídeo e veja o trabalho realizado pela Catarina Loureiro, o Gonçalo Frade, a Patrícia Viegas e o Pedro Fialho.
A seta no canto inferior esquerdo abre uma janela pequena, mas, se clicar no botão do canto inferior direito, poderá ver o filme projectado no ecrã inteiro.