sexta-feira, 5 de junho de 2020

Uma reflexão filosófica sobre os tempos presentes


“Convém, assim, perguntar, o que perdemos com aquilo de que prescindimos e o que ganhámos com aquilo que conquistámos. Ganhámos imaterialidade, em certo sentido, e com ela ganhámos velocidade e ubiquidade da nossa presença simbólica […]. E com a velocidade ganhámos aceleração[…] . Mas perdemos tudo o que não tem imediatamente a ver com os dois sentidos do ouvido e da visão: o que tem a ver com o tato, com o olfato e com o gosto. E perdemos também a lentidão, que é o tempo da germinação criativa e da assimilação, o tempo dos afetos e do amor, o tempo da natureza, que Lamberto Maffei meditou no seu Elogio della lentezza; perdemos o peso, que é a dimensão da corporeidade e da densidade conceptual, perdemos a capacidade de sentir a temperatura, ou seja, o calor dos outros e dos acontecimentos, perdemos a noção do invisível e do mistério que nos remete para o outro lado do que nos é acessível e do que está à nossa disposição, e perdemos até a capacidade de escuta que não é facilmente compatível com a velocidade e com a aceleração. Diria, por isso, também com Hartmut Rosa, filósofo da Universidade de Jena, que perdemos a capacidade de ressonância (que ele propõe como antídoto à aceleração), de entrar em ressonância com o mundo e com os outros, com a natureza e com o que a transcende, com o tempo e com as suas infinitas modulações, com os afetos e as teias que eles entretecem.”
João Maria André

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Telépolis, a distância, a velocidade e a ressonância




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