terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

«Carta aos pais» do cientista Fernando Carvalho Rodrigues, redigida pela Equipa «Carisma» (Concurso «Se eu fosse... cientista!)

A equipa «Carisma» também se encontra  apurada para a segunda etapa do concurso «Se eu fosse.. cientista!», graças ao seu empenho na redacção de uma «Carta aos Pais», em nome do cientista escolhido. Nessa carta, o cientista explica aos progenitores (responsáveis ou tutores), enquanto jovem, por que razão escolheu a ciência como objectivo de vida e a área científica abraçada.




«Carta aos pais»

Confissão de um Futuro Cientista




Prova enviada pela equipa: Carisma



Cientista: Fernando Carvalho Rodrigues



Chelas, 18 de Novembro de 1965


Meus queridos pais,



Inicio esta minha carta com alguma felicidade. No momento em que a estão ler provavelmente questionam-se da razão pela qual estou a escrever, pois ainda ontem falámos por telefone. Acontece que, por telefone, não conseguia exprimir o misto de sentimentos pelo qual estou a passar. Faz agora dois meses da minha entrada no mundo universitário. É realmente fantástico. Estou onde quero estar. Na área da Física. Estou determinado que será esta a carreira que, no futuro, pretendo seguir.


Ainda hoje me lembro de quando recebi o prémio Ricardo Covões, por ter sido o melhor aluno primário… Recordam-se? Nos dias seguintes, todos me perguntavam o que gostaria de ser. Naquela altura, não fazia a mínima ideia. Enquanto os meus colegas mudavam o que queriam ser no futuro todas as semanas, eu continuava na “ignorância” acerca da minha profissão, esperando que chegasse o dia em que todas essas dúvidas se iriam dissipar. Sempre senti que os pais me incitaram para que a escolha fosse minha e não vossa. Esta carta tem como objectivo agradecer-vos a liberdade que me deram para realizar esta escolha, a Física. É claro que esta decisão, também teve o apoio de uma pessoa muito importante com a qual tive a oportunidade de me cruzar, o Professor José Pinto Peixoto. No Liceu Nacional Gil Vicente, fascinava-me de tal maneira com as suas aulas que, logo nessa altura, eu pensei que a Ciência seria a minha trajectória. E quando tive aulas de laboratório de Física, Química, Biologia, Geologia e Mineralogia, pela primeira vez, percebi a importância das Ciências. E as aulas de laboratório não eram divertimento, mas sim uma descoberta e método. Passei a acreditar que calcular, antecipar, prever, agir e ousar dar um destino ao que quer que seja é fenomenal. Isto, para mim, foi determinante.


Outro conhecimento que o professor Pinto Peixoto me transmitiu foi a atitude do verdadeiro cientista e a essência do espírito científico. Qualquer um que queira seguir Ciência tem de ter uma crença. Se olharmos para trás, percebemos que a Humanidade tem atingido grandes metas, passando por caminhos tortuosos até as atingir. É disto que se trata a Ciência. De uma caminhada eterna e emocionante, em busca de uma explicação. Neste processo, há uma espécie de magia. O cientista deverá querer mudar o Mundo, procurando saber o “abracadabra” que desvendará os mistérios que ainda hoje perduram.


Sendo bom aluno a Matemática desde o início do meu percurso escolar, percebo que a Ciência já entrou há muito tempo na minha vida. A Matemática é a primeira das ciências. Dentro dela a Aritmética será a Rainha. A Física, a linguagem física do mundo requer portanto a mestria da Matemática. Tudo está interligado.


Depois de demonstrada a minha satisfação neste curso, o que muito vos alegra (imagino eu), e a mim também por partilhar convosco todo o entusiasmo que eu sinto ao estar numa área que me permite deixar uma marca na história da Humanidade e da Ciência (assim o espero), termino agradecendo-vos uma vez mais a vossa atitude durante toda a minha vida. Obrigado, meus pais!


Um beijo do vosso filho,



Fernando Carvalho-Rodrigues




Estamos certos que o Carlos Teixeira, a Mariana Carlota e o Ricardo Rolim, autores da carta anterior, se empenharão ao máximo na segunda etapa do concurso em que participam.
Esta equipa tem também um blog no âmbito do Concurso « Se eu fosse... cientista». Visitem-no

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