Em 2019 o Carnaval de Podence foi classificado pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade. Esta tradição, típica de Trás-os-Montes, simboliza a passagem do inverno para a primavera, sendo o chocalhar um ato de fertilidade e renovação.
Mas qual é a origem do Carnaval?
Em termos etimológicos, a palavra Carnaval deriva do latim carne, vale!, “adeus, carne!”, pois assinala um período que os cristãos celebravam antes do começo do jejum da Páscoa.
Entrudo provém da palavra latina Introitus, que significa “entrada”, ou seja, entrada na Quaresma, logo no dia seguinte, na quarta-feira de Cinzas.
Mas, na verdade, as tradições do Entrudo precedem o Carnaval e têm raízes milenares celtas que celebravam a passagem do inverno para a primavera. Razão pela qual, a maioria dos carnavais tradicionais se encontram mais a norte de Portugal e no interior, onde a força da religião se fez sentir, mas não o suficiente para fazer desaparecer estes usos e costumes.
Tradições Principais e Regionais:
• Caretos de Podence (Macedo de Cavaleiros): Figuras diabólicas com fatos coloridos de franjas e chocalhos, representando a fertilidade e a energia.
• Entrudo de Lazarim (Lamego): Famoso pelas máscaras de madeira esculpidas, inclui queima do compadre e da comadre.
• Festa dos Compadres (Lazarim/Lousã): focada na sátira e inversão de papéis entre homens e mulheres.
Figuras típicas do Carnaval:
• Os Zés Pereiras são homens que tocam bombos e gaitas de foles.
• Os cabeçudos, com as suas cabeças gigantes realçadas num corpo pequeno, existem desde 1935.
• As matrafonas são homens mascarados de mulheres. Surgiram em 1926 e apresentam-se de forma desajeitada e cómica.
São estas as raízes das festividades carnavalescas portuguesas, muito anteriores às influências vindas do outro lado do Atlântico.
Professora Lina Correia
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