terça-feira, 30 de março de 2010




OLÁ!

A pensar em ti conseguimos que uma Torre Multiusos viesse até à Escola Secundária de Tavira, entre o dia 9 e 12 de Abril.
Nesta Torre vais poder fazer
ESCALADA, RAPPEL e SLIDE.

A idade mínima necessária é 12 anos e para que a segurança da actividade seja optimizada, temos a presença de pessoas especializadas.

Esta actividade é promovida pelo grupo "Vida Saudável", do 12ºA1, no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

As entidades apoiantes são:

Escola Secundária de Tavira
Regimento de Infantaria Nº1 deTavira
Câmara Municipal de Tavira

APARECE E TRAZ TODOS OS TEUS AMIGOS, POIS NÃO É NECESSÁRIO SER ALUNOS DA ESCOLA PARA PARTICIPAR NESTA AVENTURA.

CONTAMOS CONTIGO!! ;)


O Grupo "Vida Saudável":Ana Rita Ribeiro,Maria Joana Campos,Rúben Teixeira e Pedro Domingos

quinta-feira, 18 de março de 2010

Exposição «Famous Women from the Algarve»






DIA DA MULHER



Integrado nas actividades previstas no plano anual para o presente ano lectivo, foram elaborados, pelos alunos das turmas do 10º ano Profissional de Comércio e Profissional de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, alguns trabalhos biográficos sobre personagens femininas nascidas no Algarve e que se destacaram nas suas áreas de actividade, nomeadamente nas artes (música, pintura, poesia, cinema e teatro), na ciência e investigação em medicina, na política e no ensino, entre muitas outras. Muitas delas foram igualmente mães exemplares que não descuraram o seu papel a par das suas intensas e absorventes actividades profissionais.

Após a escolha e selecção de personalidades, foi feito o resumo das biografias, a fim de ser possível elaborar pequenos textos adequados a cartazes a expor posteriormente na escola (sala de convívio e biblioteca).
Depois deste primeiro momento, os alunos procederam à tradução das biografias para Inglês, e, em pequenos grupos, redigiram os textos e efectuaram as colagens e ornamentação dos cartazes a seu gosto. Como resultado final, podemos dizer que esta actividade lhes permitiu, para além do alargamento dos conhecimentos linguísticos, conhecer (e dar a conhecer à comunidade) mulheres de imenso valor artístico, profissional e humano nascidas nesta região e a ela dedicadas até ao fim dos seus dias, mesmo que temporariamente tivessem de desempenhar as suas actividades noutras regiões do país ou até do estrangeiro.








As Turmas
10º TCOM / 10º TGPSI 1

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dia 17 de Março, PALESTRA «SOBREVIVER À ESCOLA» - da Pedagogia à Educação


A escola contemporânea encerra algumas características que ao longo do tempo nela se embeberam profundamente e são susceptíveis de afectar significativamente a autoconfiança de alunos e a pedagogia de professores. De entre estas, destaca-se a comparação constante (notas e regime intenso de testes), adicionada à obrigatoriedade de atendimento a aulas.
Pretende-se na palestra enfatizar porque é que todos os alunos, apesar de serem eminentemente inteligentes ao dominarem o que é de mais complexo que é uma língua, são, repetidamente, por vezes de forma subtil, alvo da mensagem que até podem ser algo ou mesmo bastante incompetentes. Dar-se-ão exemplos da matemática e outros. Abordar-se-ão, concretamente e do ponto de vista pedagógico, dois tópicos:
primeiro, o facto de a palavra não ser a coisa;
segundo, confrontar-se-á a interrogação –
“Qual o verdadeiro oposto de sentimentos de inferioridade?”.

Organizado pelo Grupo 500 – Matemática - em parceria com a UALG

Orador: Professor Rui Penha da Universidade do Algarve.

Público: alunos, professores e encarregados de educação.

Local: Auditório da Escola Secundária 3EB Dr. Jorge Augusto Correia - Tavira

Dia: Quarta-feira, 17 de Março de 2010

Hora: 14:30

sexta-feira, 12 de março de 2010

Campanha de doação de sangue


Um grupo de alunos do 12º ano, no âmbito da Área de Projecto, lançou uma iniciativa muito pertinente: recolha de dádivas de sangue.

Cabe a cada um de nós participar dando o nosso contributo!

terça-feira, 9 de março de 2010

Solidariedade - Tavira pela Madeira

No passado dia 5 de Março, a nossa escola solidarizou-se com a Madeira e criou um evento «Tavira pela Madeira» que decorreu no Cine-Teatro António Pinheiro. Foram sobretudo os alunos que abraçaram esta causa, dando sentido ao conceito de solidariedade. Eles souberam mostrar que os jovens protagonizam valores, muitas vezes esquecidos no quotidiano cinzento, provando que a auto realização também passa pelo gosto de criar para os outros, sendo, deste modo, um exemplo também para os adultos.
Na organização e animação do espectáculo participaram as turmas 12º A1, C1, C2 e A3, sob a orientação de Fernanda Santos, professora de Psicologia e de Filosofia e membro dos professores colaboradores da nossa Biblioteca. Apoiaram a iniciativa o Órgão de Direcção da escola, a Associação de Estudantes, a Biblioteca Escolar, a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia de Santa Maria e de Santiago.
O espectáculo iniciou com um filme realizado por um dos nossos alunos, Raul Faria, seguido de um momento de poesia pela professora bibliotecária Ana Cristina Matias, acompanhada ao piano por Mariana Morais. Foram ditos “A tempestade”, de Alexandre Herculano, e “Em silêncio descobri essa cidade no mapa”, de Herberto Hélder, poeta natural do Funchal. Seguiram-se a Mariana Morais, o Fábio Guerreiro e o “nosso José Cid”.

Na segunda parte, deu-se lugar ao fado com a Vera Rodrigues, o Rui Encarnação e a Aurora, intercalado pelo dizer de poesia pela professora Antonieta Couto e pelo João Pedro Correia. E sempre, em crescendo, o espectáculo contou ainda com as interpretações da banda Formal Brothers, do Mare Nostrum, de André Vianne e, por último, de Domingos e amigos.








A apresentação esteve a cargo de Bárbara Ferreira e João Venâncio; Marta Gonçalves e João Pedro Correia, e, na terceira parte, Maria Couto e Isabel Costa.
Foi uma noite bem animada em que todos, organizadores, participantes e público deram o seu contributo para minorar a situação difícil em que a Madeira e os seus habitantes se encontram.

Fernanda Santos e Ana Cristina Matias

Assista a momentos ao vivo do espectáculo, seguindo os links:
Tavira pela Madeira - 1ª parte
Pavira pela Madeira - 2ª parte

segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março - Dia da Mulher

Maria Helena Vieira da Silva, Auto-retrato

MULHERES ALGEMADAS

Ao princípio eram ilhas, silenciosas,
espancadas pelos afazeres quotidianos,
submersas nesse continente masculino bronzeado de ordens.
Depois, devagar,
à medida que a vegetação dos seus corpos foi secando,
revoltaram-se com a ausência de luz.
Com delicadeza ergueram suavemente a voz.
O mundo musculado dos que davam ordens inquietou-se.
Tentaram convencê-las que a sua tarefa era cuidar dos filhos,
espancaram-nas, amordaçaram a clorofila que lhes dançava nas veias.
Chamaram-lhes loucas,
arranjaram até atestados para comprovar tal insanidade.
Vedaram às suas águas a literacia, a educação, a cultura.
Dos séculos herdaram a insularidade obediente da tradição,
a gestação descontrolada,
o cárcere doméstico de quatro paredes
rabiscando sem cessar a veloz extinção do pó.
Enganaram a rotina com metáforas que bebiam
Nos brinquedos espalhados pelos filhos.
Quando sonharam ter árvores
no pedaço de terra dos seus corpos,
deceparam-lhes os poemas dos ramos,
meteram-lhes grades nas mãos,
porque o trabalho traz independência,
aniquila a submissão.
Tiveram como legado
a biografia desflorestada dos desejos,
a repressão da sensualidade,
a ancoragem no medo.
A tempestade era o único beijo que conheciam
porque os homens
lhe canonizaram o Inverno na alma.
Mas uma ilha sensível sabe esperar,
avança lentamente por entre os espartilhos da liberdade.
Um dia cansadas juntaram-se,
floriu um arquipélago.
De arco-íris em punho,
assoaram a delicadeza ao sangue
e rumaram ao proibido.
Com o fôlego exausto de cativeiro,
incendiaram a voz
porque o tempo sempre foram homens embarcados no céu.
Romperam o exílio do próprio brilho,
afogaram o preconceito
e de têmpera a têmpera açaimaram as nuvens
porque não queriam mais ouvir a neve ladrar.

Hoje, gritam ao abismo imposto,
arregalam os olhos à sombra
e a claridade que sempre tiveram nas cabeças
começa a alumiar o mesmo diâmetro que o sexo oposto.

Mas não se iludam,
o velho continente ainda usa máscara.

Alberto Pereira

Primeiro prémio,
Tema livre,
Concurso de Poesia ACAT, Dez. 2009.

sábado, 6 de março de 2010

Uma leitura de «O último beijo», de Luanne Rice



“ Nunca é demasiado tarde para encontrar o verdadeiro amor ou dizer finalmente adeus a quem partiu para sempre.”Apreciação crítica da obra O Último Beijo, de Luanne Rice
O Último Beijo é um romance inglês da autoria de Luanne Rice. A capa do livro mostra-nos uma jovem simples que passeia descalça sobre a relva de um jardim. Esta capa apela à serenidade e tranquilidade. Na contracapa, encontramos algumas críticas, todas positivas, a esta obra e à escrita da romancista.

Luanne Rice nasceu a 25 de Setembro de 1955, no Connecticut. Desde cedo mostrou os seus dotes para a escrita, publicando o seu primeiro poema com apenas onze anos e a sua primeira história aos quinze. Rice teve vários trabalhos até resolver dedicar-se exclusivamente à escrita. Já vendeu mais de 25 milhões de livros, em todo o mundo. Em Portugal apenas foram publicadas três das suas obras.
O Último Beijo retrata a vida dos habitantes duma pequena cidade, Hubbard’s Point, situada à beira mar.
A história do livro começa com a morte de Charlie Rosslare com apenas 18 anos, assassinado, e todo o drama se desenrola em torno da namorada e da mãe do jovem que não conseguem ultrapassar o drama da perda. Nell Kilvert, a namorada, não descansa enquanto não descobre o que aconteceu realmente ao seu amor, enquanto Sheridan, mãe e compositora, não consegue tocar uma única nota.
Tudo muda quando a jovem Nell chama para a cidade Gavin Dawson para investigar a morte de Charlie, mas acaba por não ser só isso. Este homem vai influenciar a vida de todos em Hubbard’s Point, principalmente a de Sheridan, o grande amor da sua vida.
O momento que me suscitou mais interesse foi quando Nell visitou a campa do filho de Sheridan e encontrou lá a última pessoa que esperava, o próprio… ou alguém muito parecido. Após um tempo de perseguição à pessoa que se encontrava junto à campa, a rapariga consegue falar com o rapaz e compreender quem ele é, o que faz em Hubbard’s Point e o que fazia junto à campa do seu falecido namorado. Gostei deste momento porque me causou grande expectativa, queria saber quem era esse homem e se Charlie estaria ou não realmente morto.
Luanne Rice tem uma escrita sensível, emocionante e simples. A autora cria um clima de mistério durante toda a obra. Neste livro, a emoção não se restringe apenas às personagens mas também aos leitores, pois a obra é tão envolvente que nos insere na própria história.
A trama da obra e a escrita de Rice deixaram-me cheia de vontade de ler outros romances da autora. O Último Beijo tem dois dos aspectos que eu mais adoro em livros: romance e mistério. Aconselho-o a todos os que gostem de uma bela história de amor.

RICE, Luanne, O Último Beijo, tradução de Carla Morais Pires, 2ª edição, Quinta Essência, Oficina do Livro, Alfragide, 2008, 344p.

Marina Amorim, 12º A2

Uma leitura de «A melodia do adeus», de Nicholas Sparks


Observação da capa:A imagem da capa transmite a calma e a melancolia de uma casa isolada à beira-mar, enquanto o balão representa a efemeridade da vida.
Frases cativantes da contracapa:"Três anos não são suficientes para apagar o seu ressentimento."

"Ronnie irá descobrir a beleza do primeiro amor."

"...vai afrouxando, uma a uma, todas as suas defesas deixando-se tomar por uma paixão irrefreável e de efeitos devastadores"

Classificação da obra: Romance

Resumo:
A Melodia do Adeus
foca as vivências e sentimentos de uma rapariga, Ronnie, de dezassete anos, que vê a sua vida virada do avesso quando os pais se divorciam e o pai se muda de Nova Iorque, onde vivem, para Wnighstville Beach, uma pequena cidade costeira na Carolina do Norte. Sem saber exactamente a razão pela qual os pais se separaram, Ronnie, um pouco influenciada pela mãe, decide “culpar” o pai e fica tão zangada que corta mesmo relações com ele durante três anos. Durante este tempo, vive com a mãe e o irmão, Jonah, de aproximadamente 11 anos, em Nova Iorque. É uma jovem revoltada, com uma relação difícil com a mãe e com o irmão, não obedece a regras, está constantemente a ultrapassar os limites, envolve-se em conflitos, até teve um processo no tribunal por ter sido apanhada a roubar.
Passados três anos, a mãe decide que Ronnie e o irmão irão passar as ferias de Verão como pai. Como Ronnie ainda não atingiu a maioridade, teve que obedecer à mãe. Contudo, o seu ressentimento faz com que ela rejeite com rebeldia todas as tentativas de aproximação do pai, ameaçando antecipar o seu regresso a N.I. Steve, o pai, um homem com 48 anos, professor de piano, vivia sozinho e tentava reencontrar-se com Deus. Nutria um amor incondicional pelos filhos e nestas férias estava disposto a demonstrá-lo.
Ronnie, nesta sua fuga rebelde, conheceu os jovens mais marginais da terra e passava os dias e parte das noites fora de casa, respondia sempre com raiva ao pai e mostrava-se sempre contra as tentativas de aproximação do pai.
À medida que os dias foram passando, a beleza da terra, do mar, a calma do quotidiano, a gentileza e o amor do pai, a alegria que via no irmão e a aproximação a outros jovens permite a Ronnie apaixonar-se pela primeira vez e ir afrouxando as suas defesas para com o pai e para com o mundo.
Ronnie afasta-se dos jovens “marginais” e ajuda uma jovem do grupo de que se torna amiga. Vive toda a emoção e o encanto do primeiro amor com um jovem bonito, bem formado, desportista e reencontra-se, finalmente, com o pai, proporcionando-lhe a maior alegria da sua vida que era reconciliar-se e conhecer os filhos.
Steve, o pai, que já há algum tempo está doente, omitindo esse facto aos filhos, tem uma crise e vai para o hospital. Não podendo esconder mais a sua doença, Steve conta que tem cancro do estômago com metástases e que está em fase terminal. Explica aos filhos que não há nada a fazer e que é um homem feliz e que não tem medo de morrer, é um homem tranquilo e em paz.
Ronnie que se tornou, neste Verão, numa mulher corajosa, honesta e com muito amor para dar, decidiu ficar com o pai. Não o deixou ir para um lar, ficou com ele, ajudando-o neste período difícil e dando-lhe amor e companhia até à sua morte.
Quando o pai morreu, Ronnie foi para uma escola de música, que era o seu sonho desde criança. O namorado, que já andava há um ano na universidade, pediu transferência para a cidade onde esta estudava música e recomeçaram o namoro tão apaixonados como no início.
Palavras que considero belas:Amor, ajuda, coração, gentileza
Palavras que desconhecia o significado:Petardo - Tipo ruidoso de fogo-de-artifício; explosivo, bomba.
Esgalgados – magro como um galgo, escanzelado.
Tuta-e-meia – pouca coisa, pouco dinheiro, bagatela, quase nada.
Cornijas – Moldura sobreposta que forma saliência para a parte superior de uma parede, dum móvel, etc.
Frases mais marcantes:"Beijaram-se antes de retomarem o passeio."
"Neste momento não consigo lidar com isto, nem tão pouco, sou capaz de estar com uma pessoa em quem não confio."

Apreciação do leitor:
A Melodia do Adeus fez-me reflectir sobre a minha relação com os meus pais, a rebeldia inerente à adolescência e o sentido da vida. Aconselho esta leitura a qualquer jovem, porque, sendo a protagonista uma rapariga com 17 anos, qualquer um de nós se pode identificar com os seus sentimentos, emoções e experiências de vida.


Mariana Carrusca, 12º A3

Uma leitura de «Gente Singular», de Manuel Teixeira Gomes

Quem nunca viu o capote usado pelas mulheres algarvias e a volta que elas dão à ampla gola em redor da cabeça para fazer o que chamaram rebuço, quem nunca viu na rua ou igreja esses monstros apocalípticos não poderá julgar da propriedade com que eu, para mais desprevenido, capitulei as três estranhas aparições de ursos com tromba de elefante.


«Gente Singular»parece ser uma história pequena e de fácil leitura. Uma história singular tal como o título indica. Uma história muito pessoal.


Pedro Carneiro parte para o Algarve, segue por Beja, passa por Mértola, acaba por descer o Guadiana até à foz, Vila Real de Santo António. Por fim, chega ao destino esperado, Faro, onde tem alguém à sua espera cujo nome é Monsenhor Romualdo Simas. É recebido com o máximo respeito e valor.
Entra. A casa está acesa apenas à base de velas e são desligadas as lanternas. Este ambiente deve-se ao facto de a mãe, de Monsenhor Simas e das suas três irmãs, ter morrido naquele mesmo dia. Havia comida na mesa, mas não era possível ver quase nada com a fraca luminosidade. O corpo da morta estava num quarto onde as pessoas estavam a rezar e lamentar a triste morte. De repente, quando Pedro Monteiro e Monsenhor Simas estavam junto ao caixão, entram três pessoas mascaradas. Começam por andar à volta do caixão, fazem ruídos, gritam, saltam, pregam sustos com o intuito de acordar a morta. Três disfarces esses que eram a D. Faustina, a D. Sebastiana e a D. Prudência. Assustado com toda esta loucura, Pedro Monteiro pede a Monsenhor Simas que o leve ao quarto. Assim que chega ao quarto, dá por falta do seu baú. Os dois vão, então, buscar o baú que ainda continuava com o criado desde que chegara.
Era um baú pesadíssimo onde Pedro Monteiro dizia conter apenas roupa, mas Monsenhor Simas teimava que aquele peso todo não podia ser só roupa e obriga-o a abrir o baú. Nisto, Pedro desce as escadas a correr e vai à procura de outro local onde se hospedar. Durante toda a noite, anda pelas ruas de Faro, até que, já ao amanhecer, encontra uma hospedaria. Acomodou-se e dormiu. Acordou muitíssimo tarde e nisto chama o criado, afilhado de Monsenhor Simas, e pergunta-lhe pelo baú. Ao jantar, sentou-se ao lado de Dr. Ximenes, má-língua conhecido em Viana. Foi um jantar longo onde puderam até falar sobre o escrivão de Fazenda, um que veio para o Algarve acreditando que iria encontrar uma moura, visto que o Algarve é conhecido por uma das suas lendas, “a lenda da moura encantada” dos pescadores de Olhão. Depois do jantar, foi deitar-se. Escreveu uma carta ao tio a pedir transferência para o Minho.
No dia seguinte, foi à repartição onde foi friamente recebido. O escrivão não era uma pessoa muito afável. Via Pedro como um rival. Pedro saiu da hospedaria e viveu fugido durante uns meses. Aprendeu a pescar e ganhou gosto pela pesca. Um dia, aceitou o convite de Monsenhor Simas para o levar a conhecer as serras algarvias. Pararam em Estói, onde visitaram o palácio de Carvalhal. Almoçaram por lá. De seguida, seguiram para São Brás, onde praticamente a vegetação é nula. Fizeram uma leve refeição de carnes frias e regressaram à tarde para Faro, parando novamente em Estói.
Tempos depois, aceitou outro convite. Mas desta vez foram todos. A compostura de Monsenhor Simas e das suas manas era tão completa que se tornava difícil saber se tudo aquilo era realidade. Rapidamente reparou que algo de estranho e anormal se andava a tramar naquela casa. Todos os quatro irmãos se olhavam entre si com olhares estranhos. Algo que se passasse referia-se a obras no quintal, onde nunca mais levaram Pedro, dizendo que era “surpresa”, repetindo a palavra “momento” ou até “o que dirão?”. A princípio, podia dizer-se que parecia uma capela.
Em meados de Agosto, Pedro recebeu notícias do seu tio, dizendo que já era certa a sua transferência para Braga. Decidiu sair de Faro no último dia do mês.
No dia 29, às 15:00h, ficou de aparecer na festa de inauguração da tão falada obra. Estava presente, entre os convidados, o Vigário-Geral. Pedro Monteiro ficou sentado na mesa de D. Sebastiana que o repreendeu pelo atraso. Havia uma escultura colorida que representava a cabeça ensanguentada de São João Baptista dentro de um prato redondo. D. Sebastiana parecia muito inquieta. Foi de imediato perguntar se o Reverendo Padre queria o “cafezinho”. Este, com toda a ingenuidade, disse-lhe que sim. D. Sebastiana dirigiu-se então para o interior da casa, voltando minutos a seguir.
Pouco depois, os convidados foram visitar a cerca. D. Sebastiana muito graciosa ofereceu o braço ao Vigário. O Vigário dizia-se mal disposto. Aproximaram-se da construção, a qual estava pintada de cor-de-rosa. Todos queriam saber o que era. Uma capela? Um pombal?
Não. Era uma privada, uma casa de banho. O sistema “Dilúvio”. Ou por sugestão do local ou por qualquer outro motivo, via-se a cara do Vigário ficar amarela, verde e gritando: “ai, ai, ai que dor”, pondo as mãos na barriga. Levantando-lhe a batina e desabotoando as cuecas, D. Sebastiana sentou-o no buraco da retrete. Não havia meio de aquilo passar. As irmãs começaram a ficar nervosas, “Querem ver que foi de mais?”, e apenas pediam para que se chamasse um médico rápido. Veio a saber-se que tinham colocado tártaro no café para que fizesse o efeito necessário a se utilizar o sistema “Dilúvio”. O Vigário ficou em perigo de vida, mas ligava-se pouco a isso na cidade. Apesar de tudo, a cotação de Monsenhor Simas e das suas manas subiu na estima dos seus conterrâneos.

A leitura deste conto fez-me reflectir sobre a ansiedade das pessoas em quererem muito uma coisa e as acções darem para o lado oposto. As coisas nem sempre correm como esperamos e, por vezes, acontece mesmo aquilo que não queremos.

Tatiana Cardoso Nascimento, 12º A1

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma leitura de «Juntos ao luar», de Nicholas Sparks


O livro que acabei de ler tem como título Juntos ao Luar. Na sua capa, tem ilustrado três cavalos cavalgando livremente num campo plano com luz do pôr-do-sol ou luz da lua cheia. Na sua contracapa, encontra-se a mesma imagem dos cavalos, mas num plano maior.

Nicholas Sparks, autor deste livro, conta em todos eles romances fictícios. Em cada livro, existe um casal apaixonado, uma das suas personagens tem uma doença e no final das suas histórias alguém acaba por falecer.

Nicholas Sparks nasceu no dia 31 de Dezembro de 1965, em Omaha, Nebraska, América do Norte. Nicholas viveu a sua juventude em Fair Oaks, na Califórnia e vive actualmente na Carolina do Norte com a família. Foi premiado com uma bolsa de estudos da Universidade de Notre Dame pelos seus excelentes resultados e, em 1988, licencia-se em Economia. Curiosamente, o seu sonho era tornar-se atleta de alta competição, sonho de que teria de abdicar devido a um grave acidente. Iniciou-se a escrever enquanto trabalhava como delegado de informação médica e, mais tarde, surge Theresa Park, agente literária, que se propôs representá-lo, vendendo os direitos do seu primeiro romance, Diário da Nossa Paixão, à Warner Books.


Juntos ao Luar conta-nos uma história romântica entre dois adolescentes, John e Savannah, que têm estilos de vida muito diferentes mas que acabam por se cruzar. E, à medida que se vão conhecendo, vão-se apaixonando dia após dia. John é um jovem incompreendido sem uma familiar que possa fazer ultrapassar os seus medos, as suas incertezas e as suas dúvidas normais de um adolescente. É, também, um rapaz que não se interessa muito pela vida, não se preocupa com o que possa vir a acontecer amanhã e não tem qualquer objectivo. Mas, um dia, resolve fazer com que o seu pai tenha orgulho nele, alistando-se no serviço militar.
Savannah, pelo contrário, é uma jovem que se interessa pelo futuro e ajuda os que mais precisam. É uma óptima amiga para todos que se encontram mais próximos. Porém, tinha acabado de sair de uma relação que tinha marcado a sua personalidade. Apesar de os dois serem diferentes, encaixam-se na perfeição e não é só por acaso que os opostos se atraem. John traz para a vida de Savannah um pouco de aventura que tem na sua vida e a Savannah fá-lo conhecer uma parte da vida mais séria que ele desconhecia. Então, descobrem-se e ajudam-se um ao outro, dizendo segredos e medos para ultrapassar as barreiras da vida.
Com o convívio que John vai tendo com Savannah, acaba por descobrir que o seu desinteresse pelo seu pai vinha por este ser portador de uma doença (Síndrome de Asperger). Essa doença leva o pai a não ter muitos assuntos para falar a não ser sobre a sua paixão pela colecção de moedas, o que faz com que John o comece a amar e a compreender. Mas, nem tudo tem de ser bom, porque John tem de voltar para a sua carreira militar e Savannah à sua rotina diária. No entanto, prometem esperar um pelo outro, até que John consiga a transferência para voltar a ficar perto de Savannah. Entretanto, trocam cartas e telefonemas.
Mas, a distância entre eles foi muito má, pondo em perigo o namoro.Quando estava a aproximar-se a data de poder voltar a ver Savannah, acontece o infeliz acidente do 11 de Setembro, o que fez o seu namoro ficar por um fio. Ele não voltaria tão cedo para perto de Savannah porque tinha sido destacado para o Iraque, e ela teria de continuar a sua vida. Uma última carta traz o fim desta história de namoro. Nada poderia voltar a ser o que era, porque Savannah tinha acabado de encontrar um outro amor.
Alguns anos depois, John volta para enterrar o seu pai. Savannah tinha-se casado com um amigo de infância que também era amigo de John. Ela estava igual, com a mesma beleza e com o mesmo brilho. Quando se encontraram, perceberam que ainda se amavam. Agora a vida de Savannah era cuidar da sua fundação para crianças com deficiência e cuidar do seu marido que era portador de um cancro de pele, um vida com dores mas compensadora pelo carinho e pela pessoa que era o seu marido. Apesar de pensarem que tudo poderia a voltar o que era, John não poderia autorizar a separação do casal. E entre ficar com a mulher da sua vida e permitir um resto de uma vida feliz ao seu amigo, John escolhe a segunda.
Entre a sobrevivência de um amor a uma distância e tempos longos, entre partidas do destino, tomam-se escolha que marcam a vida. No final da história o amor acaba sempre por ganhar.

Um momento narrativo que acabou por me cativar mais neste livro, foi a parte em que John e Savannah se encontram juntos a ver a lua cheia. Esta parecia-lhes tão grande e tão bela que acabam por se marcar na lua para se lembrarem um do outro quando observassem a lua, em qualquer parte onde estivessem. É este momento que me cativa mais por ser bastante romântico e por ser um fenómeno que acaba mesmo por existir em todo o lado e fazer-nos lembrar alguém especial de cada vez que vemos a Lua.
Nicholas Sparks tem uma escrita bastante cativante que nos leva a querer saber sempre o que vem a seguir. Talvez pela sua simplicidade na escrita, usando o sonho presente na sua mente e depois pondo magia nas suas palavras. É simplesmente espectacular.
Esta obra tem uma grande relevância para mim, porque é um tipo de livro que não acaba com “felizes para sempre”. A vida real não é bem assim, e eu dou valor a esses livros que podem vir a ser comparados com a vida real de alguém que conhecemos.

SPARKS, Nicholas, Juntos ao Luar, trad. de Alice Rocha, 14ª ed., Editorial Presença, Lisboa, 2006, 263 p. (Grandes Narrativas, 335)

Ricardo Mascarenhas, 12º A2

Uma leitura de «Querida comprei um Zoo», de Benjamim Mee



O livro que estou a ler intitula-se: Querida comprei um Zoo. Apresenta uma capa bastante apelativa, com a imagem de um tigre bebé e o título da obra escrito numa placa de madeira, dando a ideia de uma chapa com o nome do Zoo. A contracapa não fica atrás no que diz respeito à criatividade, utilizando diversos animais como forma de apelar a todos aqueles que gostam destes fantásticos seres. Nas oito páginas a meio do livro, são apresentadas variadas ilustrações dos seres que constituem o Zoo e de alguns daqueles que contribuíram para a reabertura do mesmo.

Benjamin Mee é o autor deste livro e antigo decorador, que iniciou os seus estudos sobre a inteligência animal num curso de Psicologia na University College London, tirando em seguida um mestrado em Jornalismo Científico no Imperial College. Tornou-se, mais tarde, editor da uma revista Men´s Health e colunista do Guardian. Seguiu-se a aventura do zoo e o aparecimento deste fantástico livro.

Esta obra retrata a história verídica de uma família, residente em França, que deixou tudo para reconstruir um Zoo degradado, em Dartmoor, Inglaterra. Trata-se de um relato comovente de uma história de vida diferente, real e batalhadora, tanto atingida pela tragédia, como por sonhos e objectivos.Em 2005, a notícia de que o Parque de Vida Selvagem de Dartmoor ou encontrava rapidamente comprador ou encerraria veio dar novo rumo a esta família. Em Outubro do ano seguinte, Benjamin Mee e a sua família venderam tudo o que tinham das suas novas vidas de sonho, em França, e mudaram-se para o jardim zoológico degradado. O trabalho foi árduo desde o primeiro dia, assumindo responsabilidade por uma colecção de animais, simultaneamente com as responsabilidades igualmente avassaladoras da gestão do pessoal e das finanças do parque. Assim, iniciaram o percurso de uma vida de novos desafios e recompensas inesperadas. Porém, uma tragédia abate-se sobre toda a família. Katherine, sua mulher, depois de sobreviver a um tumor cerebral, recomeça a sentir os sintomas da sua doença, tornando-a, em determinado ponto, incapacitada a todos os níveis. É desta forma que Benjamim se vê com mais uma tarefa, a acrescentar ao seu agitado dia-a-dia, parecendo que a cada dia a tarefa de reabertura, se tornava mais complicada. A morte de Katherine trouxe desânimo para ir com o projecto para a frente, mas todos sabiam que o momento em que se encontravam era fulcral para o projecto e que tinham um objectivo a alcançar.

A personagem que mais me cativou foi, sem dúvida, Benjamim, pela sua persistência e inteligência para lidar com certas situações. Contudo, Katherine não lhe fica atrás no que diz respeito à força que mostra ter em todas as situações por que passa, até à sua morte.

A obra apresenta parágrafos relativamente curtos, intercalando discurso indirecto com o directo. O estilo de escrita do autor é simples, e ao mesmo tempo cuidado, possibilitando uma leitura fácil e bastante perceptível.

Na minha opinião, todos os livros que se lêem contribuem para aumentar a nossa cultura geral. Contudo, apenas alguns conseguem que sintamos prazer em lê-los. Neste caso, confesso que no início achei que o livro estava a ficar um pouco aquém das minhas expectativas, porém, com o desenrolar da história, a minha posição como leitora alterou-se. Apesar de ter gostado bastante desta obra, achei que, em certos casos, o autor poderia ter abordado o assunto de outra forma.

MEE, Benjamin, Querida Comprei um Zoo, tradução de Renato Carreira, 1ª ed., Casa das Letras, LISBOA, 2009, 272 p.

JOANA PEREIRA, 12º A2

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma leitura de «Gente Singular», de Manuel Teixeira Gomes



A capa é simples: fundo roxo com “Obras completas de M. Teixeira Gomes” escrito em maíusculas brancas, seguido, por baixo, do título do livro, Gente Singular, em letras também maíusculas mas menores. O facto de a capa se demonstrar tão simples e o título referir pessoas únicas/raras (significado de singular), desperta-me a atenção por ser tão grande contraste. Talvez a obra fale de pessoas sem igual, situadas num lugar onde a sua invulgaridade é comum.


Tendo nascido e sido criada no Algarve, todo o livro de Manuel Teixeira Gomes, e em particular o conto Gente Singular , relembram-me um pouco a minha infância, mas sobretudo as histórias que a minha mãe costumava contar sobre a sua infância. Este conto é mesmo um despertar para a realidade, para a mudança que ocorreu em não muito mais do que vinte anos. Ler histórias de um Algarve sem luz, sem casas-de-banho, onde, de certeza, não se via a tão grande e frequente afluência de turistas às nossas praias.


Apesar do tom humorístico de todo o livro, este desperta a minha humildade e faz-me estar grata por todas as facilidades que possuo hoje em dia, enquanto para as pessoas de outro século não passavam de sonhos que pareciam estar a anos-luz de distância.


Aconselhava, sem dúvida, esta obra a qualquer pessoa, mas sobretudo acho que deve ser lida por todos os algarvios. Daquilo que sei do estudo da história e das memórias dos meus pais e avós, penso que este livro transmite completamente o Algarve de não há muito tempo, mas muito, muito diferente.


Gente Singular não só tem uma certa componente histórica, como nos mostra humoristicamente a unicidade do povo algarvio. De facto, como ele não há outro.
Gomes, Manuel Teixeira, Gente Singular, 4ª Edição, Bertrand Editora, Novembro de 1988.


Rita Ribeiro, 12º A1




Uma leitura de «Caim», de José Saramago



A escolha de leitura para este mês recaiu sobre o último livro de José Saramago, Caim. Escolhi-o não só por ser uma novidade no mundo literário, mas também porque o seu título me despertou interesse, pois refere-se a uma personagem da Bíblia e, tal como em outros livros, o autor critica a fé inquebrantável e absoluta. Esta opinião do autor é visível na capa, onde simplesmente aparece a imagem do filho de Deus, com um sinal na testa, que indica, na minha opinião, um disparo, demonstrando que, para o autor, este não é digno de confiança e deve ser morto. A contra-capa partilha da mesma ideia, citando uma frase de “Hebreus”.
Este novo livro de Saramago não se desvia do tema principal abordado pelo autor em algumas das suas obras, como n’ O Evangelho segundo Jesus Cristo, por exemplo.


José Saramago, filho e neto de camponeses sem terras, nasceu na aldeia de Azinhaga, no dia 16 de Novembro de 1922, embora tenha vivido a maior parte da sua vida na capital. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pode prosseguir devido a dificuldades económicas. Durante toda a sua vida teve várias profissões, no entanto, em 1947, publicou o seu primeiro livro, um romance: Terra do pecado.Trabalhou durante vários anos em editoras e jornais, mas a partir de 1976 passou a viver apenas do seu trabalho literário, publicando várias obras, como Memorial do Convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), O Ensaio sobre a cegueira (1995) e Caim (2009). Contudo, o ano mais importante da sua carreira foi 1998, quando lhe foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura.
Em Caim é mais uma vez explícita a ideia que o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno de essa figura para exigir a si mesmos, ou a outros, fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, morrer oferecido em sacrifício ou matar em nome de Deus.Um dos momentos da narração que me cativou foi quando, no capítulo 6, Deus ordenou a Abraão, um adulto de certa idade, que lhe sacrificasse o próprio filho, Isaac, para testar a sua fé. E este assim o fez. Realizou uma viagem de três dias, para chegar ao monte ordenado pelo senhor, acomodou a lenha por cima dele, atou-o e, ao mesmo tempo que segurava o pobre braço do filho, empunhou a faca para lhe cortar a garganta. A sorte de Isaac foi Caim, a personagem principal desta narrativa, que lhe agarrou o braço e o impediu de tal loucura. Este momento da narração é um dos mais marcantes, pois, para mim, é impensável um pai matar o seu próprio filho, para mostrar a sua fé perante Deus. E é esta a ideia fulcral que Saramago pretende transmitir aos seus leitores, que o Senhor não é pessoa em quem se possa confiar.

A escrita de José Saramago é marcada por frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais.

É um livro polémico, sem dúvida. Sobretudo para quem for crente, como é o meu caso. No entanto, ao ler este livro penso que sou levada a reflectir sobre algumas questões sem pôr em causa a minha crença. Por outro lado, julgo que esta obra é literariamente boa com leitura muito simples e apelativa.A única coisa que realmente não me agradou muito foi o final. Penso que surge como um remate abrupto e fraco, tendo em conta todo o conteúdo do livro. Dá a sensação que José Saramago chegou ali e não lhe apeteceu escrever mais.


SARAMAGO, José, Caim, 4ª edição, Caminho, LISBOA, Outubro 2009, 181p.




Ana Raquel Claro, 12ºA2

Uma leitura de «O Sorriso das Estrelas», de Nicholas Sparks








Amo-te por tudo o que partilhámos e já te amo, por antecipação, por tudo o que ainda temos para viver.”



Sei que estás a sofrer, e sofro contigo,
mas és mãe e não podes continuar a agir dessa forma.”
“ Nesse momento aquele homem que me havia salvado a vida pediu-me perdão.”


Título: O sorriso das estrelas
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Edição: 18ª edição






A capa apresenta-nos uma imagem com dois cadeirões, um bule, e uma cómoda, talvez um cenário de alguma parte da história. Pelo título , imagino uma história em que irá morrer alguém, talvez, porque costuma-se dizer, principalmente às crianças, que quando alguém morre vai para o céu e que é uma das suas estrelas.




Resumo:A história principal gira em torno de um grande amor, entre Adrienne Willis e Paul Flanner. Adrienne era uma mulher corajosa que conseguiu criar e educar os seus três filhos, mesmo depois de o seu marido a ter “trocado” por uma mulher mais nova.
Passados muitos anos, a filha, Amanda, fica viúva e precisa desesperadamente da sua ajuda. Então, a mãe resolve contar-lhe o seu maior segredo. Há catorze anos atrás, depois do divórcio com o marido, Adrienne foi passar um fim-de-semana em Rodanthe, com o objectivo de tomar conta da estalagem de uma amiga, enquanto esta estaria num casamento. Adrienne recebe o único hóspede, Paul Flanner, que por coincidência também havia acabado de sair de uma relação.
Nesse fim-de-semana, Paul e Adrienne vivem uma paixão inesquecível que irá mudar as suas vidas. Depois, Paul parte para o Equador, onde se vai encontrar com o filho, embora prometam um ao outro que vão esperar um pelo outro até que ele possa vir ter com Adrienne.
Porém, é nessa viagem que Paul faz, que morre ao tentar salvar o filho. Adrienne sabe da trágica notícia, por uma carta que Mark, filho de Paul, lhe escreve a contar o sucedido.

Apreciação do leitor:
Adorei O Sorriso das Estrelas. Acho que é um livro bastante interessante e com o qual se pode aprender muito. É um exemplo de que quando um familiar ou amigo nosso morre, não devemos baixar os braços, devemos seguir em frente e encarar a vida. Devemos pensar que nada há a fazer para deixarmos de sofrer, temos é que viver.

Aconselho esta obra, pois tem uma história muito emocionante e marcante. E pode ser adequada à nossa vida, o que a torna mais intensa. É de leitura bastante fácil e cativante e conta uma excelente história de amor que deixa qualquer um apaixonado.


Mariana Carrusca, 12º A3

terça-feira, 2 de março de 2010

Uma leitura de «Gente Singular», de Manuel Teixeira Gomes

“ – Neste baú há mistério. Quem sabe se enquanto ele estava confiando à guarda desse macrocéfalo que diz, lhe não meteram dentro um morto ou…o que seria pior…um vivo…”“ – Foi (…) o malvado boticário que nos enganou… Nós para estrearmos dignamente a nossa retrete, que custou mais de trezentos mil réis, pusemos tártaro emético no café do Reverendo Padre e, ou porque fosse de mais ou não sabemos, o pobrezinho está muito mal…”



O conto “Gente Singular", incluído em colectânea a que deu título, saiu em 1909 e é sobremaneira representativo de uma obra que, como escreveu David Mourão-Ferreira, "pela subtilíssima dosagem de instinto e inteligência, de sensualismo e de humor, de plenitude física e de bom gosto cultural, não encontra paralelo em toda a literatura portuguesa". O seu autor é Manuel Teixeira Gomes.


O AUTOR
Manuel Teixeira-Gomes nasceu na Vila Nova de Portimão, em 27 de Maio de 1860, descendente de uma família algarvia de comerciantes de frutos secos, e apesar de uma existência dispersiva e cosmopolita sempre ao Algarve e à sua paisagem natural e humana se conservou fiel, dedicando-lhes as páginas mais vibrantes do seu incomparável estro literário. Acabou por morrer em Bougie, na Argélia, em 18 de Outubro de 1941. Porém, só em 1950 é que os seus restos mortais são enviados para Portugal.
Com a implantação da República foi diplomata em Londres e Madrid, depois Presidente da República entre 1923 e 1925. No ano seguinte, voluntariamente, exilou-se para sempre. Foi ainda Escritor, Politico e Comerciante.
Além de Gente Singular (1909), publicou ainda: Inventário de Junho (1899), Cartas sem Moral Nenhuma (1904), Agosto Azul (1904), Sabrina Freire (1905), Desenhos e Anedotas de João de Deus (1907), Cartas a Columbano (1932), Novelas Eróticas (1935), Regressos (1935), Miscelânea (1937), Maria Adelaide (1938) e Carnaval Literário (1938).
O CONTO
Ao associar o título Gente Singular à sua respectiva capa, posso afirmar que existe uma relação clara entre estes. Na capa observamos três figuras um pouco “estranhas” que nos fazem lembrar os eternos monstros que atormentam os mais graúdos. Antes de ler a obra, diria que esta nos conta a história de três seres inofensivos iguais a todos os outros (gente singular) mas que, por serem diferentes fisicamente, são rejeitados por todos os que convivem no mesmo meio que eles.

“ (…) quem nunca viu na rua ou na igreja esses monstros apocalípticos não poderá julgar da propriedade com que eu, para mais desprevenido, capitulei as três estranhas aparições de ursos com tromba de elefante.”ResumoPor motivos profissionais, Pedro Carneiro é forçado a mudar-se temporariamente para Faro. Como se não bastassem as circunstâncias desta migração involuntária, o protagonista vai ver-se envolvido em situações que intensificarão essencialmente a associação do Algarve a uma “terra hostil”. Se a viagem da sua terra natal até à capital algarvia é descrita como uma “calamitosa jornada”, devido às pouco desenvolvidas vias de comunicação norte-sul de que o país dos finais do século XIX dispunha, a verdade é que a estada do protagonista não será animadora o suficiente para compensar ou mesmo até fazer esquecer os sacrifícios da longa e interminável viagem.
À chegada à recomendada casa de Monsenhor Romualdo Simas e das suas três irmãs (Sebastiana, Prudência e Faustina), local onde ficaria hospedado apenas por uma noite, Pedro é confrontado com uma recepção estranha, caracterizada pela morte da mãe dos anfitriões. E é na cerimónia de vigília da defunta que o protagonista assiste aos primeiros indícios da insanidade do clã fraternal, começando pelo ritual bizarro das irmãs, que, disfarçadas com trombas de elefantes, pularam e gritaram em redor da mãe, numa tentativa de certificação do seu estado do cadáver, acabando com o carácter caprichoso e infantil de Monsenhor Simas que com orgulho mostrara ao seu hóspede o mecanismo que inventara para produzir o ruído da chuva, sem o qual nunca conseguia adormecer.
Depois de um período de afastamento, Pedro, como quem dá uma segunda oportunidade, começa a frequentar com mais assiduidade a casa de Monsenhor Simas e suas irmãs, por julgar que estes haviam amadurecido os seus comportamentos. Contudo, dias antes do regresso ao norte, decorrente da tão desejada transferência para Braga, vivencia, em casa dos irmãos, juntamente com vários convidados, alguns ilustres da classe eclesiástica, a inauguração de uma obra singular: E como se esta revelação não bastasse para surpreender aquele que relata o episódio e aquele que o lê, desvenda-se no final do conto que as manas, ciosas por uma estreia em grande da retrete, foram cúmplices do mau estar intestinal do pobre Reverendo Padre.

Apreciação crítica

Em Gente Singular, Manuel Teixeira Gomes, através de um estilo elegante e linguisticamente irrepreensível, concebe uma crítica nitidamente dirigida às atitudes, valores e modos de estar da sociedade burguesa e clerical algarvia da época em estudo. Por isso, esta obra fez-me reflectir sobre todas as atitudes, valores e modos de estar da sociedade burguesa do século XIX em Portugal. Como podemos ver, com a leitura da obra, há personagens portadores de uma personalidade de grande imaturidade, como é o caso de Monsenhor Simas. Outro tema que também ganha bastante importância é o modo como as estratégias que utilizavam para atingir os seus objectivos eram das mais surpreendentes possíveis, como aconteceu quando as três irmãs colocaram tártaro emético no café do Reverendo Padre para que este se sentisse indisposto.
Comparando o século XIX com o XXI, afirmo de bom grado que muita coisa mudou. No entanto, parece que muitas pessoas continuam a cometer acções de grande imaturidade e para conseguirem rasgar a meta passam por cima de quem for preciso. Parece que o famoso ditado popular “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” não se enquadra muito bem no tema, é verdade que os tempos se mudaram, já a mentalidade de algumas pessoas parece ter ficado congelada, intacta.

Bárbara Ferreira, 12º C1

Uma leitura de «A Sombra do Vento», de Carlos Ruiz Zafón

Na Sombra da Crítica

A obra A Sombra do Vento é um dos livros mais vendidos em Espanha. O primeiro impacto que podemos ter ao visualizar o livro é que este se trata de uma escrita séria para um público-alvo mais velho, pois na capa encontram-se duas pessoas, possivelmente pai e filho, a passear numa rua, num dia nublado. Quanto à contra-capa, apenas se encontra uma fotografia do autor, sem grande notabilidade.


Esta obra é o sexto livro do autor. Carlos Ruiz Zafón, nascido, em Barcelona, em 1964, é um dos mais célebres escritores de Espanha, tendo já ganho o prémio Ebedé de literatura com o seu primeiro romance, O Príncipe da Névoa. O seu livro de maior sucesso é A Sombra do Vento, pois este já vendeu mais de seis milhões de cópias pelo mundo. As suas obras são traduzidas em mais de quarenta línguas, tornando-o numa das maiores revelações literárias dos últimos tempos.


A Sombra do Vento conta-nos uma história passada em Barcelona, na primeira metade do séc. XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós - guerra. A personagem principal é um rapaz chamado Daniel, órfão de mãe, que quando está prestes a fazer onze anos de idade, o seu pai leva-o ao cemitério dos livros esquecidos. Este escolhe um livro intitulado A Sombra do Vento. O mistério começa quando não existem outros livros do autor à venda e Daniel é quem tem o único exemplar da obra, já que os outros tinham sido todos queimados. Então, o mistério começa a surgir. Onde será que estão o resto dos livros? Por que terão sido queimados? A única certeza é que quem acaba por ler um livro daquele autor envolve-se de tal maneira na história que apenas quer mais e mais livros do mesmo.


Um momento que me marcou nesta história foi quando Daniel falou sobre uma caneta que já teria pertencido a Victor Hugo. Daniel sempre pensou em escrever uma carta à sua mãe mas acabou por desistir dessa idéia, começando a escrever uma obra-prima. O seu pai ofereceu-lhe um lápis para este poder escrever, mas tinha uma fixação tão grande pela caneta que dizia que apenas conseguia ter uma obra-prima se conseguisse escrever com a caneta.


“ Uma anemia de invenção assolava a minha sintaxe e os meus voos metafóricos recordavam-me os dos anúncios de banhos efervescentes para os pés que costumava ler nas paragens dos eléctricos. Eu culpava o lápis e ansiava pela caneta que havia de me converter num mestre”
(p. 44)


Quanto à escrita do autor, este recorre ao discurso directo, usa muitas descrições e dá grande uso às comparações e metáforas.


Na minha opinião, esta obra é algo de outro mundo. Trata-se de um livro sobre outro livro. Mexe com as emoções, devido ao facto de a personagem principal não ter mãe e pelo mistério do que aconteceu ao autor do livro. Considero esta obra sublime e há-de ser, tal como se encontra na obra, um livro que manterei sempre vivo.


ZAFÓN, Carlos, A Sombra do Vento, tradução de J. Aguilar, 8ª ed., Dom Quixote, Lisboa, 2006, 507 p. (Ficção Universal).


Rafael Santos, 12º A2

segunda-feira, 1 de março de 2010

Em memória do professor Duarte Rosa




Poema compilado por Ivan Daniel e João Cavaco, 10º TCOM

Em memória do professor Duarte Rosa


Miguel Mariano, 10º TCOM

Em memória do professor Duarte Rosa

Em memória do professor Duarte Rosa

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.…

Luís de Camões






Não o esqueceremos. A sua dedicação, o seu trabalho, o seu carinho, jamais serão esquecidos, ficarão plantados nos nossos corações.


Pedro Felício, 10º TCOM

Acróstico

D
edicado

U nico

A migo

R adiante

T olerante

E mpenhado



R espeitado

O rgulhoso

S orridente

A legre

10º TCOM

Em memória do professor Duarte Rosa


Professor exemplar
Mais que isso…
Um amigo… um amigo espectacular
Uma alegria do tamanho do mundo
Um sorriso que contagiava todos… tudo!
Deixou-nos tantas palavras….
Tantos sorrisos…. E agora tantas lágrimas….
A sua ausência que nos dói
Esta mágoa que nos corrói
Este silêncio que nos sufoca
Este momento que mais parece uma derrota
Estas recordações que temos de si
Que nem mil ventos as levarão
Este momento que não voltará
Tal como o professor jamais regressará…


Sofia Bagarrão, 10º TCOM

Em memória do professor Duarte Rosa


Prestamos aqui a nossa homenagem ao colega e professor Duarte Rosa que tão inesperadamente partiu.

Os seus alunos do 10º COM, sob orientação da professora Ana Paula Mana, também escreveram ou compilaram poemas que daqui lhe enviam.


Ana Cristina Matias